27.8.17

talvez falte dizer um pouco sobre mim.
Esse texto pode ser duvidoso e certamente apresentar caráter ambíguo. Ainda não sei se sou, e se sim, me cabe dizer como sou e porque eu sou, embora tão mais complexo. Não sei se ser é definir-se no que já foi, no que ainda está por vir a ser ou pelo ser agora. Ser se faz com um emaranhado de narrativas passadas ou ainda está se constituindo? Ser o agora é tão mais preciso, mas igualmente efêmero. É o quociente irracional, preciso por apenas uma dízima: sou tão precisa quanto, por um tempo. Um tempo é minha dízima. Mas mudou o tempo, e agora sou outra. Sou múltipla? Ou átomo, ato único que se transforma em um eterno devir. Serei minha morte, pois é ela a única capaz de  encerrar o ser em resumo.
E, lendo o que escrevo, concluo também que sou cópia, influenciada por assuntos lidos e estudados. Confesso, nesse momento, a impregnação das ideias impressionistas heraclitianas e o prelúdio de "água viva" em minha cabeça, provocadas por breve leitura noturna. Ser, então, é influenciar-se. Entretanto, se influencio-me, se sou cópia; logo, não sou. Talvez porque ninguém se auto complete.