27.8.17

talvez falte dizer um pouco sobre mim.
Esse texto pode ser duvidoso e certamente apresentar caráter ambíguo. Ainda não sei se sou, e se sim, me cabe dizer como sou e porque eu sou, embora tão mais complexo. Não sei se ser é definir-se no que já foi, no que ainda está por vir a ser ou pelo ser agora. Ser se faz com um emaranhado de narrativas passadas ou ainda está se constituindo? Ser o agora é tão mais preciso, mas igualmente efêmero. É o quociente irracional, preciso por apenas uma dízima: sou tão precisa quanto, por um tempo. Um tempo é minha dízima. Mas mudou o tempo, e agora sou outra. Sou múltipla? Ou átomo, ato único que se transforma em um eterno devir. Serei minha morte, pois é ela a única capaz de  encerrar o ser em resumo.
E, lendo o que escrevo, concluo também que sou cópia, influenciada por assuntos lidos e estudados. Confesso, nesse momento, a impregnação das ideias impressionistas heraclitianas e o prelúdio de "água viva" em minha cabeça, provocadas por breve leitura noturna. Ser, então, é influenciar-se. Entretanto, se influencio-me, se sou cópia; logo, não sou. Talvez porque ninguém se auto complete.

10.7.17

E criei um blog. Entre tantos outros, meus e de outros. Talvez por impulso, impulso esse dos mais primários: criar algo seu, único, intransferível; se descrever em blog como em autorretrato. Como, talvez, sempre tenha feito: a criação desse blog também pode ser relacionada a saudade. Saudade de quando era criança e escrevia. Saudade de ter um segredinho pra chamar de meu.
Por muito tempo, me orgulhei de não ter segredos, uma vez que esses são quase que inevitavelmente sinônimos de medo, fraqueza, ou somente porque geram certa vulnerabilidade. Cresci, apareceram-me segredos e tornei-me vulnerável. E agora aprendo a lidar com minha nova condição.
Outra hipótese, por mais que me pareça romântica e errada demais, é a vontade das palavras, vontade de me expressar por linguagem escrita. Claramente, esta me habita, mas não configura-se como impulso criador, pois já a possuía a muito tempo.
Por fim, e talvez mais plausível, criei esse blog por excesso de tediosa monotonia.